Por que Mentimos PDF baixar

 


A mente humana é um dos personagens mais extraordinários e menos compreendidos da grande galeria de criações da Mãe Natureza. Foram necessários milhões de anos para que ela evoluísse. Durante períodos imensos da pré-história, nossos ancestrais foram adquirindo mentes com uma matriz distintamente humana - uma gama de paixões e emoções, a capacidade de expressar seus pensamentos em palavras, de criar ferramentas, de planejar e de mentir. Infelizmente ou não, as mudanças graduais na estrutura do cérebro que acabaram por produzir a mente moderna não nos dotaram de uma grande capacidade de entender a nós mesmos. O auto entendimento não é algo natural para os seres humanos, como comer, beber e fazer sexo. A busca pelas razões desse fato nos leva ao cerne da natureza humana.

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A Origem das Espécies de Charles Darwin - PDF baixar

 
A Origem das Espécies é uma obra de literatura científica escrita por Charles Darwin, que é considerada a base da biologia evolutiva. Publicado em 24 de novembro de 1859, ele introduziu a teoria científica de que as formas de vida evoluem ao longo das gerações por meio de um processo de seleção natural

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Tédio

 


Há necessidades que possuem realidades por detrás, como a fome, a sede, o sono, a respiração; e há necessidades que são representações de realidades, como o sexo, a amizade e o lazer. A fome, por exemplo, não pode ser driblada em circunstância alguma, pois ela reflete uma necessidade real; nossos corpos não funcionam sem energia; não há sequer sentido em considerar a possibilidade de vivermos sem nos alimentar. Então, mesmo se suprimirmos o sinal da fome, vivendo num agradável estado de constante saciedade, eventualmente morreremos de inanição. 

Agora pensemos nas necessidades que são meras representações. Se suprimirmos o lazer de nossas vidas — ou o sexo, ou as amizades —, de tal forma que essa carência não seja sentida por havermos suprimido esse sinal — como fizemos com a fome —, não haveria quaisquer consequências. Nessa situação, com tais necessidades satisfeitas, viveríamos com a sensação de que somos turistas, e nunca nos ocorreria pensar que talvez precisássemos de lazer; igualmente, não faríamos sexo porque já nos sentiríamos sexualmente satisfeitos o tempo todo. Então, se já vivemos satisfeitos, que falta tais coisas fariam? Nenhuma, pois não são necessidades de fato — pelo contrário, são necessidades que o próprio cérebro cria, e que o próprio cérebro decide quando foram satisfeitas. Assim, do ponto de vista biológico, talvez possamos entender tais necessidades metaforicamente, pensando nelas como a fome de um organismo que na verdade não precisa comer, mas mesmo assim almoça todos os dias a fim de socializar-se durante as refeições; ou seja, são estratégias que nos trazem benefícios indiretos, mas que em si mesmas são vazias — algo próximo de rituais. Pois bem, a conclusão é que o homem não tem necessidade real da sociedade, pois poderíamos, por exemplo, morar sozinhos num campo, vivendo daquilo que plantamos. Do ponto de vista físico, trata-se de uma vida perfeitamente autossustentável; se essa seria uma vida emocionalmente agradável, isso é outra questão. Mesmo assim, se houvesse comprimidos supressores de sociabilidade, como há supressores de apetite, o fator emocional estaria resolvido por completo, sem quaisquer riscos envolvendo uma possível inanição emocional.

 Segue-se que, do ponto de vista do indivíduo particular, a forma como alcançamos essa satisfação é puramente arbitrária, e isso pelo simples fato de que nossa necessidade de socialização é apenas uma representação — claro que com base genética, mas mesmo assim uma representação, pois tudo ocorre no cérebro, e nele apenas. Tendo isso em mente, podemos concluir que, exceto em seus primeiros anos de vida, o homem não precisa da sociedade, não literalmente. Desse modo, se não há uma necessidade literal da sociedade, por que as pessoas buscam a socialização? Para satisfazer algum tipo de carência, evidentemente. Tentemos ilustrar a ideia com uma visão prática. Imaginemos que estejamos nos sentindo solitários. O que isso significa? Nada; uma sensação de mal-estar qualquer; uma angústia. Pois bem, saímos à rua, conversamos com alguns conhecidos, e eventualmente passamos a nos sentir bem. O que isso significa? Nada; uma sensação de bem-estar qualquer; um prazer. Imaginemos agora que, em vez de sairmos em busca de companhia, houvéssemos ido ao cinema sozinhos. Sentamo-nos na poltrona por duas horas, assistimos ao filme, e eventualmente passamos a nos sentir bem. O que isso significa? Nada; uma sensação de bem-estar; um prazer. Idem se houvéssemos nos sentido bem lendo um livro, praticando exercícios ou nos distraindo com uma atividade qualquer. Nessa situação, podemos perceber que nossa satisfação na verdade não depende das pessoas em si, mas meramente o fato de elas se prestarem como um objeto do qual possamos nos ocupar, assim como podemos nos ocupar de livros e filmes. Então, se temos essa necessidade de nos ocuparmos, pessoas são um meio, filmes e livros são um meio. Se temos amigos inteligentes porque gostamos de debater ideias, e se livros nos dão esse mesmo prazer intelectual, dá no mesmo se usamos livros ou amigos. Será inevitável pensarmos que, apesar de funcional, essa é uma visão destituída de significado; mas a falta de significado é uma ideia com a qual já deveríamos estar familiarizados: significados são crendices. 

O fato é que nossas necessidades sociais são todas puramente psicológicas; então, se pudermos satisfazê-las sozinhos, a solidão se revela uma possibilidade perfeitamente tangível e emocionalmente equivalente à socialização, não uma segunda opção miserável. Socializar-se é ocupar-se de pessoas, e gostamos disso não pela companhia, mas pelo alívio do tédio, que é exatamente o mesmo prazer que intelectuais encontram na reflexão — razão pela qual ambas as coisas tendem a ser mutuamente exclusivas. Desse modo, desde que tenhamos inteligência suficiente, a intelectualidade apresenta-se como um ótimo meio de nos esquivarmos de uma das torturas que mais atormentam a humanidade. Ademais, sabendo que o tédio torna a passagem do tempo extremamente lenta, eis um bom critério para sabermos se dispomos de forças intelectuais suficientes para assegurar uma existência plena por meio da reflexão: quanto menos conscientemente sentirmos a passagem do tempo ao nos dedicarmos à intelectualidade, maior é nossa inteligência. Se reflexões filosóficas nos aborrecem, encontremos, de acordo com nossas capacidades, outro modo digno de tornar a existência suportável. Porém, se as horas voam enquanto pensamos, sejamos gratos: recebemos da natureza um presente inestimável.


JESUS: Uma Invenção do Império Romano

   


Durante muitos anos, segui a doutrina imposta pela igreja. Mas na época meu espírito crítico não era tão crítico quanto hoje; eu até acreditava em deus, Jesus e outras crenças ou castas hereditárias. Estas coisas que se passam de pai para filho, e cada filho se torna mais uma das vítimas.

  Mas aí eu comecei a raciocinar, a procurar fontes históricas que não fossem a bíblia. Entre tantas leituras, encontrei Nietzsche. Meu conceito de universo foi mudando, mas não exatamente por causa de Nietzsche. Nele apenas me apeguei em seu raciocínio. Em muitas coisas discordo dele. Se eu já acreditava na teoria evolucionista, em oposição à criacionista, em finais dos anos 2000, passei a negar a existência de um deus. E nisto Nietzsche foi fundamental.

Mas não neguei Jesus. Não historicamente. A princípio realmente existiu um líder religioso no início da era cristã que pregava na região de Israel e que atendia pelo nome de Jesus. Só que a vida dele é bem menos grandiosa do que a fama que foi criada em torno de seus feitos. É mais ou menos como eu vou resumir a seguir:

 José e Maria chegaram a Belém, foram até um estábulo e Jesus nasceu. Aí quando a criança tinha dois anos, Heródes mandou matar todas as crianças com idade menor ou igual dois anos. A família de Cristo fugiu da cidade.

Com doze anos, Jesus foi até Jerusalém com os pais e arrumou uma confusão com alguns religiosos. Aos trinta anos ele foi batizado por João Batista e pirou. Se com doze anos ele achava que era filho de Deus, com trinta ele tinha certeza disso. Aí ele decidiu virar religioso e dizer que a verdadeira alternativa era o Judaísmo.

  Assim como outras figuras históricas (Buda, Confúcio, Inri Cristo), Jesus conseguiu arregimentar seguidores. Doze, pra ser exato. Na verdade eram uns desocupados, ou puxa-saco, que foram nomeados apóstolos. Então Jesus ficou três anos “fazendo” cegos enxergarem, paralíticos andarem, portadores de hanseníase ficarem com a pele boa, contando histórias e ditando seus ensinamentos a doze pessoas. Mas doze pessoas era um número pequeno. Nazaré tinha ficado pequena pro filho de Maria. Aí numa sensacional jogada de marketing ele decidiu ir pra Jerusalém pra expandir seu negócio.

 O problema foi que ele chegou a Jerusalém no meio do Pessach, a popular Páscoa judaica, montado num burro e enaltecido por uma meia duzia. Não contente, foi até o templo, expulsou um pessoal que vendia umas paradas e foi dizendo que era filho de Deus. O pessoal do templo ficou bolado e mandou prendê-lo. Levaram-no até Pôncio Pilatos que disse para o povo fazer o que quisesse com Jesus. Aí mataram e crucificaram-no, algo que na época era um procedimento comum feito com quem se metia a besta.

Então tinha tudo pra dar errado. Um cara que tinha juntado 12 seguidores em toda a sua vida de pregador e que não deixa nenhuma obra escrita (há quem afirme que Jesus era analfabeto) chega numa das maiores cidades do mundo na epoca , é preso, condenado e executado. Tinha tudo pra ser esquecido pelo povo. Mas aí entra Paulo de Tarso, o maior marqueteiro da história. Ele pega a história de Jesus, bota umas coincidências divinas aqui, uns acontecimentos messiânicos ali, umas tentações demoníacas acolá, escreve umas epístolas e pronto: surgiu o Novo Testamento.

 Com uma coleção nova e inteirinha de livros que falavam de um deus que pregava o amor, a compreensão e a fraternidade em oposição àquele que mandava pragas, inundava o mundo e mandava as pessoas sacrificarem os próprios filhos, os cristãos foram aumentando seu número nos arredores de Galiléia.

 Só que isso não era suficiente. Durante anos os Cristãos foram perseguidos por Roma, exatamente até 335 dc quando o imperador romano Constantino por pressão cedeu liberdade religiosa. Mas era uma liberdade vigiada. A religião oficial ainda era a de Roma, os deuses, porque não queria uma nova religião atrapalhando o Império.  Mas isto durou só até o século IV, quando Flavius Theodosius (último imperador romano), para salvar o governo romano, decidiu que os cristãos não seriam mais comida de leão. Aí pra se tornar a religião oficial de um terço dos humanos foi um pulo. Tipo uns 1600 anos.

  Mas aí chega o ponto que eu queria: se não fosse por Paulo e Flávio, o cristianismo teria morrido. Jesus teria tido os seus doze seguidores – um pouco menos que Inri Cristo – durante alguns anos e depois tudo teria acabado. Se não fossem os relatos dos evangelistas – que foram escritos mais de três décadas após a morte de Jesus por quatro pessoas que não conviveram com o Messias e que colheram depoimentos de pobres e analfabetos – e as cartas de São Paulo, teríamos hoje menos cristãos do que hinri...De fato, Jesus era um fracassado. Apanhou pouco.


  

 
biz.