Todo mundo sabe que eu sou ateu. Acho que é uma característica que, em uma sociedade tão religiosa quanto a brasileira, acaba se sobressaindo. Tanto por me diferenciar da maioria das pessoas, quanto por entender que esse ateísmo faz com que eu seja muito mais curioso com relação à tudo. Desde estudo sobre coisas complexas, como política e filosofia, até a maneira como eu lido com as coisas que acontecem na minha vida.
Já existiu um momento em que, influenciado por outras pessoas, eu achava que era mais confortável ser religioso. Afinal muita gente que acredita em algum poder sobrenatural acaba não enxergando determinados problemas e, como diz o ditado, a ignorância acaba se tornando uma benção. Já que não tem como você se preocupar por um problema que você nem sabe que existe.
Hoje eu não acredito mais nisso. Quanto mais envelheço, e vejo pessoas ficando cada vez mais religiosas, mais claro fica como a religião que ‘conforta’ na realidade esconde de você problemas que poderiam ser resolvidos de maneira muito mais eficaz se as pessoas fossem mais céticas. Além de, em outras vezes, apresentar ‘soluções’ que não servem para nada, a não ser tornar o problema pior.
O mais comum que vejo à minha volta é colocar a culpa dos problemas que acontecem em coisas etéreas. Na ‘macumba’, no ‘demônio’, na ‘energia ruim’, ou seja lá qual for a força sobrenatural que a pessoa acredita que é o problema. O que, automaticamente, leva as pessoas a procurar curas milagrosas para essas forças, e assim a não olhar de verdade para o problema e enfrentá-lo de frente. Sem buscar soluções na vida real para o que está se apresentando, e contando, com muita fé, que vão conseguir resolver tudo sem realmente olhar para o problema.
Tornando essas questões que, muitas vezes, são de fácil resolução, em montanhas escondidas que podem ficar por lá, mas que em geral costumam voltar como algo ainda mais problemático no futuro. Já que ao não abordar algo da maneira correta, só vamos empurrando com a barriga os problemas, e eles vão se acumulando até não ser mais possível isso, e então explodindo na nossa frente.
Acredito que esse tipo de coisa seja mais uma maneira do nosso cérebro evitar o conflito, mas é talvez uma das mais perigosas. Já que é normalizado na sociedade e, em alguns casos, até mesmo incentivado. Fazendo com que não se lide com problemas hoje, e tornando-os cada vez maiores para o futuro. O que, quando falamos de questões psicológicas, é ainda pior. Já que tem capacidade de nos imobilizar, e em casos mais graves levar ao desespero completo.

1 Komentar:
Sou fã desse cara