É óbvio que Deus não existe


  ... Apesar de ter sido criado como cristão, fui entendendo conforme o tempo passava que a religião não fazia muito sentido. Tanto por ser um pouco avesso a regras dogmáticas, e que dentro da religião temos muitas, quanto por entrar em contato com conteúdos e pessoas que o tempo todo entravam em atrito com esses dogmas.


Como todo ateu , eu tive o meu tempo de revolta máxima. De rejeição total a tudo que poderia ter algum cunho religioso. Como até mesmo achar ruim quando alguém falava coisas como ‘Vai com Deus’, me deixando genuinamente irritado. Algo que é normal para todo mundo que, de repente, vê que o mundo é o completo oposto do que tem sido vendido a ela até aquele momento.


Depois passei por uma época mais light. Onde achava que, desde que as pessoas não enchessem o meu saco, estava tudo bem. Chegando até mesmo a omitir o fato de eu ser ateu, respondendo caso alguém me perguntasse, porém sem deixar isso claro desde o início.


Só que o mundo mudou de lá para cá. A religião está cada vez mais se embrenhando dentro de tudo que você imaginar. Existe uma bancada da bíblia no congresso nacional do Brasil. Sete dos dez livros mais vendidos de 2024 tem alguma ligação com a religião. Quando você entra na bienal do livro, os maiores estandes são todos de editoras evangélicas.


Ou seja, me parece cada vez mais importante entender que existe uma possibilidade real de sairmos de um país laico (que nunca foi de verdade, mas pelo menos tinha um verniz), para um país fundamentalista como vemos no Oriente Médio. Onde uma religião dita as regras, enquanto o resto de nós tem que se conformar em aceitar.


Quando digo que é óbvio que Deus não existe, não é só uma maneira de indicar que sou ateu. Digo isso porque, se existisse, 90% das pessoas que utilizam da religião para se promover sequer poderiam usar o nome Dele. Já que usam da fé das pessoas em prol de ganho próprio, seja através de poder político, ou através de ganhos monetários pessoais. Esquecendo completamente o fato de estar escrito que ‘é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus’, e usando a teologia da prosperidade como guia ético e moral.


Esse tipo de texto não existiria se as pessoas fossem religiosas para elas mesmas. Eu pouco me importaria. Mas me parece claro que isso não basta. As pessoas precisam entrar no Estado, mudar as leis, e tentar mudar tudo que está à sua volta de maneira que fique dentro de um ideal de sociedade que foi escrito a dois mil anos atrás. Pouco importando se faz sentido em 2025, e usando da religião para justificar preconceitos e retrocessos.

O que é uma pena. Já que eu acho que é possível conviver. Mas isso parte do princípio de se separar o Estado da religião. Algo que não me parece ser o objetivo hoje. E que, por isso, precisa ser pontuado. Mostrando que não importa o que sua religião diz na hora de gerir um Estado. E sim o que é verdadeiramente melhor para as pessoas. Mesmo que em alguns casos contradiga o que sua crença diz que é ‘correto’.


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